Constanze Valerie Vetter: Muito obrigada pela oportunidade de apresentar meu trabalho com mais profundidade.
MAM: No seu dia a dia, você acompanha bebês prematuros com dificuldades no desenvolvimento oral. Em que momento você é envolvida como fonoaudióloga?
CVV: Muitos prematuros apresentam dificuldades na coordenação entre sucção, deglutição e respiração, uma habilidade que se desenvolve entre a 30ª e a 34ª semana gestacional. Quando essa coordenação ainda não está plenamente amadurecida, podem ocorrer pausas respiratórias durante a alimentação. Além disso, os prematuros costumam ser muito sensíveis a estímulos na região oral, o que pode gerar reações exacerbadas. Como fonoaudióloga, atuo no tratamento de recém-nascidos com distúrbios de deglutição ou dificuldades alimentares. Em geral, início a terapia por volta da 32ª semana gestacional, quando a alimentação oral já se torna possível.
MAM: Como funciona, de forma geral, o apoio fonoaudiológico a prematuros e quais são seus principais objetivos?
CVV: O objetivo principal é auxiliar os bebês na transição da alimentação por sonda para a alimentação oral plena. Uma das metas centrais é o aprendizado da coordenação entre sucção, deglutição e respiração. Inicialmente, avalio a sensibilidade oral do bebê e verifico os reflexos de busca, sucção e deglutição. O caminho até a primeira tentativa de alimentação oral costuma ser gradual e requer diversas etapas intermediárias. Massagens suaves ajudam a estimular e fortalecer a musculatura da boca e face. Estímulos intraorais, como o toque delicado no palato, ajudam a reduzir a hipersensibilidade. É fundamental que o toque seja percebido de forma positiva e que os pais participem desde o início.
MAM: Você utiliza chupetas durante a terapia com prematuros?
CVV: Na UTI Neonatal, a chupeta quase tem status de medicação. A sucção não nutritiva (sem ingestão de alimento) tem efeito analgésico e promove a autorregulação do bebê. Na fonoaudiologia, a chupeta também é usada como ferramenta terapêutica para estimular a sucção, fortalecer a musculatura oral e regular a sensibilidade. Inicialmente, o bebê recebe leite por sonda enquanto suga uma chupeta. Em seguida, administramos pequenas gotas de leite diretamente na boca com uma seringa de ponta de silicone – o chamado “finger feeder” – enquanto o bebê suga o dedo ou a chupeta, associando sucção e deglutição. No aleitamento, muitas vezes usamos o bico de silicone, já que o mamilo materno pode ser grande demais e o bebê ainda não tem força suficiente para abocanhá-lo adequadamente. Em alguns casos, utilizamos sistemas de nutrição suplementar. A mamadeira também é uma alternativa.
MAM: Como você acompanha os bebês prematuros e suas famílias até a alimentação independente?
CVV: Só iniciamos a alimentação oral quando a sucção e deglutição estão bem coordenadas, os reflexos estão presentes e o bebê tolera bem os estímulos. Se o objetivo é o aleitamento materno, iniciamos colocando o bebê ao seio mesmo enquanto ainda é alimentado por sonda. Caso a mãe deseje, a mamadeira também pode ser introduzida. Oriento os pais com instruções precisas: a mamadeira deve ser mantida na horizontal para reduzir o fluxo de leite e o bico precisa estar bem-posicionado na boca para ativar o reflexo de sucção. Com o tempo, é possível alternar entre o seio e a mamadeira em uma mesma mamada.
MAM: Você já conhece os produtos da MAM, como mamadeiras, bicos e chupetas. Pode nos contar sobre sua experiência com as chupetas MAM para prematuros (MAM Preemie e MAM Comfort)?
CVV: Utilizo frequentemente a MAM Preemie com prematuros. Na minha opinião, é a melhor chupeta para esse grupo, entre todas que já testei. É pequena, muito macia e o escudo pode ser ajustado conforme a posição da sonda ou suporte respiratório. O orifício no escudo é extremamente prático para o uso do finger feeder. Quando o bebê atinge maior maturidade (cerca de 34 semanas), ele pode precisar de uma estimulação oral mais intensa e nesse caso, passo a usar a MAM Comfort. A escolha depende de cada bebê e do seu nível de sensibilidade.
MAM: Você acompanha os bebês apenas durante a internação hospitalar ou também após a alta?
CVV: Em geral, acompanho os prematuros apenas durante a internação. A boa notícia é que, na maioria dos casos, eles não precisam mais de acompanhamento específico após a alta. Se surgirem questões fonoaudiológicas mais tarde, por exemplo, um frênulo lingual curto que não era perceptível antes, os pais podem me procurar na clínica ambulatorial ou no consultório.
MAM: Você também atende bebês nascidos a termo. Há diferenças em relação aos prematuros?
CVV: A abordagem terapêutica é semelhante. No entanto, as causas das dificuldades alimentares variam. Nos bebês a termo, fatores relacionados ao parto podem influenciar. Além disso, os nascidos a termo são geralmente menos sensíveis a estímulos, o que facilita a terapia.
MAM: O que te motiva no seu trabalho diário?
CVV: É maravilhoso observar o desenvolvimento dos bebês prematuros. Com o tempo, os pais também ganham mais confiança nos cuidados com seus filhos. Isso compensa todo o esforço. O momento mais gratificante para mim é quando o aleitamento funciona pela primeira vez, é o que me dá energia para continuar.
MAM: No dia 17 de novembro é celebrado o Dia Mundial da Prematuridade. O que essa data representa para você?
CVV: Acredito que seja essencial ampliar a conscientização sobre o nascimento prematuro e mostrar que o início da vida pode ter muitas formas. A permanência hospitalar de um bebê prematuro costuma ser longa e marcada por medo e incertezas. Vejo esse dia como uma oportunidade para abrir diálogos e reunir pessoas que viveram experiências semelhantes.
MAM: Qual mensagem você gostaria de deixar para os pais de bebês prematuros?
CVV: Quero encorajá-los a confiar em sua intuição e a buscar momentos de descanso. O mais importante: uma mãe que não amamenta não é uma má mãe! O leite materno tem grande importância, especialmente para a digestão e o sistema imunológico nas primeiras semanas, mas, depois disso, o mais importante é poder viver experiências positivas com o bebê. Saber que é possível combinar amamentação direta com leite ordenhado traz grande alívio para muitas famílias.
Nota: Esta entrevista foi realizada em colaboração com uma especialista que recebeu compensação da MAM. Publicação: Novembro de 2025.
- Biber, D. (2014). Frühkindliche Dysphagien und Trinkschwächen. Berlin/Heidelberg: Springer.
- Hübl, N., Kaufmann, N., Randweg, S. (2020). Präventive Arbeit auf der neonatologischen Station. Beitrag der Logopädie zur Ernährungsentwicklung von Frühgeborenen und kranken Neugeborenen. Forum Logopädie, 34(6), 30-35.
- Medizinische Universität Wien, Universitätsklinikum Wien (2022). Ratgeber Logopädie. Tipps zur Entwicklung und Förderung der oralen Funktionen. Wien: Wiener Gesundheitsverbund.